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terça-feira, 16 de março de 2021

INAPAGÁVEL

Por Carlos Coutinho

REPARE-SE na viril alegria destes valentes soldados portugueses que, fazendo confluir as suas miras para o mesmo alvo, posam para uma objectiva que os poderá eternizar (*). Provavelmente nem sabiam que também existe o Panteão da Infâmia, onde o nosso Presidente e as mais altas figuras do poder civil e militar podem ir, discretamente, prestar homenagens podres a um cadáver fardado e hipermedalhado.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

MARCELINO DA MATA

 Marcelino da Mata merece respeito?

Marcelino da Mata contou, no ano 2000, num documentário realizado para a RTP, que um grupo comandado por ele, durante a Guerra Colonial, na Guiné-Bissau, conseguiu apanhar um homem do PAIGC envolvido na captura de dois soldados portugueses da Companhia 497. Um dos capturados terá sido empalado. Outro foi castrado, obrigado a meter na boca o próprio órgão sexual e, depois, assassinado.

O grupo de Marcelino da Mata, por vingança, fez o mesmo ao soldado do PAIGC: castrou-o, obrigou-o a meter na boca o seu próprio órgão sexual e, depois, matou-o.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

MARCELINO DA MATA

Quem é o "nós" que celebra Marcelino da Mata como "herói"? De que "heróis" precisa a direita para reescrever a história?

Declaração de princípios: sou, como muitos da minha geração, filha de um veterano da guerra colonial. Não o digo para invocar qualquer lugar de fala, mas para acrescentar que compreendo que memórias da guerra não são nunca memórias em paz. Que as guerras deixam marcas nos vencedores e nos vencidos. Que processos de reconciliação nem sempre são lineares, sem falhas, dúvidas, recuos, sem acusações, sem ressentimento.

Trabalho igualmente como investigadora com veteranos de guerras civis (Angola) ou com dinâmicas distintas (Colômbia). Portanto, não tratarei de julgar pessoas que em determinadas circunstâncias "fizeram guerra", com tudo o que isso implica, apanhadas nas encruzilhadas da história, inscrevendo-se ou apagando-se nela/dela consoante os processos da sua (re)escrita.

MARCELINO DA MATA

 Do início da luta armada nas antigas colónias à morte de um traidor-herói

Há 60 anos, a 4 de Fevereiro, jovens ligados ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) atacaram a cadeia de S. Paulo e a Casa de Reclusão, em Luanda, visando libertar nacionalistas angolanos encarcerados pela polícia política colonialista, além de um posto da PIDE e da rádio oficial de Angola. Estavam armados com paus e catanas.

Esta acção simboliza o desencadear da luta armada de libertação nacional nas então colónias portuguesas africanas, que conduziu à independência de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe após a Revolução dos Cravos de 1974.

Para Angola, o governo fascista português enviou milhares de soldados a partir de 1961.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

MARCELINO DA MATA

Uma história oficial da democracia portuguesa?

Manuel Loff, PÚBLICO, 16.2.2021

Nas páginas deste jornal, João Miguel Tavares (JMT) lamentou que "a maior parte dos portugueses não faça a menor ideia de quem foi Marcelino da Mata" que morreu há dias, aos 80 anos. Afinal, ele era, diz JMT, o "militar mais condecorado do exército português", por feitos cometidos durante a Guerra Colonial (e só) que Vasco Lourenço, que o conheceu bem, assegura terem sido "crimes de guerra" (PÚBLICO, 19.7.2018). JMT limita-se a dizer que "é muito possível que tais crimes tenham acontecido.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

MANECAS SANTOS E AMÍLCAR CABRAL

Manecas Santos: “Amílcar Cabral não era sonhador, era um político”
Escrito por  Jorge Montezinho, Expresso das Ilhas

Combatente da Liberdade, Manuel dos Santos, o Comandante Manecas, está nos dois momentos que ficam para a história da guerra colonial: o assalto ao quartel de Guiledje e a introdução dos mísseis Strella no cenário da luta pela independência. No pós independência, acaba por ficar na Guiné-Bissau, onde chegou a ser Ministro das Finanças e embaixador em Angola. De passagem por Cabo Verde, aceitou dar uma entrevista ao Expresso das Ilhas. E foi uma conversa sem tabus.