De Eugénio de Andrade
Vais crescendo, meu filho, com a difícil
luz do mundo. Não foi um paraíso,
que não é medida humana, o que para ti
sonhei. Só quis que a terra fosse limpa,
nela pudesses respirar desperto
e aprender que todo homem, todo,
Os comunistas.
Os que colocam a alma na pedra,
no ferro, na dura disciplina,
ali vivemos só por amor
«De todas as sementes confiadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz nascer as mais copiosas searas.» Foi esta a legenda da última gravura de José Dias Coelho para o Avante! clandestino, relativa ao assassinato de Cândido Martins (Capilé) em Novembro de 1961, numa manifestação em Almada. Poucos dias depois, a 19 de Dezembro, foi o próprio José Dias Coelho a tombar aos 38 anos, varado pelas balas da PIDE. O crime foi perpetrado em Alcântara, na antiga Rua dos Lusíadas, actual Rua José Dias Coelho.