sábado, 22 de maio de 2021

RANKINGS ESCOLARES

Ricardo Paes Mamede

«João Miguel Tavares faz mais uma das suas no Público de hoje. Escreve a certa altura sobre os resultados dos rankings escolares:

"Significa que as escolas privadas melhoraram muitíssimo mais, e que a sua competitividade, no que diz respeito à preparação dos alunos para ingressar no ensino superior, é cada vez maior."

Não, João Miguel Tavares, não significa isso. Está a tirar uma conclusão que os dados não permitem. Os resultados podem apenas assinalar que as escolas privadas são frequentadas por alunos que têm um ambiente familiar mais favorável à aprendizagem, que os seus pais gastam mais dinheiro em explicações e/ou que as escolas privadas têm vindo cada vez mais a seleccionar os seus clientes em função das notas que têm, não aceitando ou convidando a sair os que têm desempenhos menos bons. O contributo dos colégios para a preparação dos exames (fora a preparação para tudo o resto) poderia até ser nulo, que os resultados dos rankings seriam os mesmos.

É lamentável que JMT alimente a falta de rigor de análise e as leituras que dela decorrem. E que uma pesssoa com tanta capacidade para se indignar não se indigne com o facto de os dados sobre a composição socioeconómica dos alunos dos colégios privados continuarem a ser ocultados. Só esses dados (e outros sobre o desempenho dos alunos à entrada e à saída da escola) permitiriam perceber o que o ensino público e o privado andam de facto a fazer.»

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